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IA & Mensuração12 de junho de 2026 · 4 min de leitura

Por que só 23% dos comunicadores demonstram ROI — e como entrar nesse grupo

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Reunião de revisão orçamentária. O CFO pergunta o que a comunicação gerou no trimestre. A resposta vem em um relatório bem produzido: 47 matérias publicadas, 12 milhões de impressões, engajamento acima da média do setor. O CFO agradece, anota — e classifica a área onde sempre esteve: centro de custo.

Pesquisas com profissionais da área apontam que apenas 23% dos comunicadores conseguem demonstrar o ROI do que fazem. O número incomoda, mas o diagnóstico importa mais: os outros 77% não trabalham menos nem medem menos. Medem as coisas erradas, na ordem errada — e descobrem isso na pior hora, com o orçamento na mesa.

Medir atividade não é medir resultado

O framework da AMEC, base dos Barcelona Principles que orientam a mensuração de comunicação desde 2010, separa três camadas de indicador:

  • Outputs — o que foi produzido e veiculado: matérias, posts, releases, alcance, impressões.
  • Outtakes — o que o público fez com isso: lembrança, compreensão, mudança de percepção.
  • Outcomes — o que mudou no comportamento e no negócio: adesão, candidaturas, leads qualificados, posição em rankings de reputação.

A maior parte dos relatórios de comunicação vive inteira na primeira camada. E a primeira camada responde "o que fizemos" — nunca "o que isso gerou", que é a única pergunta que o comitê faz.

Os mesmos Barcelona Principles aposentaram o indicador que sustentou décadas de relatório: a equivalência publicitária (AVE), que traduz centimetragem em valor de mídia comprada. O documento é explícito — AVE não mede o valor da comunicação. Quem ainda reporta com ele está usando uma régua que a própria disciplina descartou.

Onde os 77% se perdem

Quatro padrões aparecem com consistência nas áreas que não conseguem responder com dados.

A medição começa depois. A campanha roda, e só então alguém pergunta como demonstrar o resultado. Sem objetivo definido antes e sem baseline, não há comparação possível — qualquer número vira retórica.

Os indicadores são herdados. AVE, impressões, seguidores: métricas que o mercado usava quando a área foi montada e que ninguém revisitou. São fáceis de coletar e não respondem nada que o negócio pergunte.

Os dados vivem em silos. Imprensa numa plataforma, social em outra, comunicação interna numa terceira, clima organizacional no RH. Sem integração, não há série histórica unificada — e sem série histórica, não há correlação com o negócio.

O reporte fala a língua errada. O relatório de 40 páginas de clipping exige que o executivo faça o trabalho de tradução. Ele não vai fazer. A área que não traduz o próprio resultado deixa que o CFO o traduza — como custo.

Como entrar no grupo dos 23%

Definir o objetivo de negócio antes da ação. Cada iniciativa nasce com a resposta a duas perguntas: que comportamento queremos mudar e em que indicador isso aparece. O indicador é acordado com quem aprova o orçamento — antes, não depois. Se a campanha de employer branding existe para reduzir o custo de contratação, o número que importa já está definido no dia zero.

Estabelecer baseline e meta. Medir o ponto de partida antes de executar. É o passo mais barato e mais pulado de todo o ciclo: sem ele, o melhor resultado do mundo não tem com o que ser comparado.

Correlacionar comunicação com dados de negócio. Comunicação interna ao lado de eNPS e turnover. Reputação ao lado de custo de captação e velocidade de recrutamento. Presença digital ao lado de pipeline comercial. A correlação exige série histórica e disciplina de coleta — e é ela que transforma o relatório em argumento.

Reportar como o comitê decide. Poucos números, fórmula transparente, tendência e comparação com a meta. Um score composto — alcance qualificado, compreensão, ação, sentimento — diz mais em uma tela do que o anexo de clipping em quarenta.

De centro de custo a ativo medido

Nada disso exige ferramenta mágica. Exige começar a medição antes da execução, aposentar indicadores que não respondem nada e integrar dados que hoje vivem separados — método, não milagre.

É esse o trabalho da nossa frente de Dados & Mensuração: framework baseado nos Barcelona Principles 4.0, dashboards que integram imprensa, social e comunicação interna, e índices com fórmula transparente — como o IEA™, score 0-100 que combina alcance qualificado, compreensão, ação e sentimento. O diagnóstico inicial estabelece a baseline e a matriz de ROI por iniciativa — o ponto de partida documentado.

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